andrea branzi – folha designers

Andrea Branzi

Nascido em Florença Italia 1938, vive em Milão. Visão do design independente, faça você mesmo. Influências das formas da natureza, a natureza da natureza, do japonismo, e mediterrâneo. Criação por meio do próprio objeto e manipulação de formas. A substância dos objetos é determinante para o ser humano e para a qualidade de sua vida, é a própria vida.

Objetos com profundidades não percebidas imediatamente. Objetos duráveis. Fragmentos da natureza nas paisagens domésticas. Qualidade de vida voltada para o interior, espiritual. Micro-hábitats individuais, cerimônias rituais, território poético. Casa como local cenográfico.

Família política anti-facista, imaginou-se mais um teórico do que um prático, declarando que não tinha interesse pelo design em si. Era um designer militante, design fruto de uma longa pesquisa e experimentação teórica, uma atividade “prefigurativa”, que abre espaço em primeiro lugar para o ser humano e para a vida. Uma atividade de design que se projeta para fora, e nunca é ditado por condições externas, mas por razões reflexivas, vistas sob a superfície do objeto.

Cultura pop: descoberta do mundo como ele é, e não como deveria ser > projeto No-stop city, não é uma cidade melhor, é uma cidade real. Cidade não como um lugar, mas como um modelo de comportamento. Aonde chegam as mídias e a mercadoria, chega a cidade.

“A ação ideológica dos produtos industriais sore o indivíduo é total: a mercadoria faz a metrópole circular pelo território. Todos os dias a indústria produz quilômetros cúbicos de produtos em série, e todos os dias muitas dessas metrópoles moleculares entram em circulação, são consumidas, tornam-se refugo dentro das velhas cidades imóveis de pedra. Atuando na mercadoria, embora com sucesso diferente, o design se torna um instrumento de projeto fundamental para modificar realmente a qualidade da vida e do território.” A arquitetura deixa de ser a função de representação desta cultura, para ser seu receptáculo.

A partir daí passa a atuar em grupos de estudo e produção de design, criando objetos polêmicos, vivos, e promotores de transformações profundas na sociedade, resultando na exposição no Moma em 1972 italy the new domestic landscape. Oposição ao design japonês. Em 1984 no texto La Casa Calda, questiona o habitat moderno, levantando um projeto de pesquisa de reivenção do ambiente doméstico para o pós-modernismo, em oposição a outras vanguardas modernas. Em Animali Domestici, novamente questiona a casa, o habitat humano, defendendo que as tecnologias devem se tornar domésticas. O pensamento da casa é continuamente atualizado em sua obra. Branzi configura a casa humana com raízes muito profundas na terra, mas em estreito contato com o céu. A arquitetura está fora do mundo real, enquanto que o design lida com os problemas cotidianos do consumismo, tecnologia, culturas artísticas. Propõe então um “modelo de urbanização fraca”, objetos e séries elásticas, porosas, sem soluções definitivas, sistema territorial poético, e segundo Arata Iasaki “racionalismo crítico.”

Agronica, modelo de habitat semi-urbano-agrícola que se estende no horizonte. Um modelo de arquitetura e design livre e autônomo a ideia original de arquitetura, fora das regras de mercado. Visando a capacidade de adaptação típica da sociedade de modernidade tardia, fugindo do compositivo ou tecnológico, para Branzi o que deve ser observado é a fluidez e capacidade difusa da cidade, deste modo, seus projetos são multidisciplinares, prática da arte, agricultura e informática, conceito adaptável, reversível, evolutivo e provisório.

As obras posteriores questionam o buraco deixado pelo novo design italiano após seu surgimento. Há desconforto devido à saturação de símbolos e objetos. Reflexão do pós-modernismo, cultura da fragmentação e pastiche. O resultado são objetos pastiche, que evocam várias referências. Do figurativo ao expressivo. Também há uma busca pelos objetos pré-industriais, que evocam o cosmos, projetados no universo a partir do ser humano: “É justamente sobre este ponto que sempre se concentra meu trabalho, ele se movimenta entre a sensação de fracasso da arquitetura em relação à dimensão antropológica do espaço cotidiano, e o fracasso do design como caminho que falta para a dimensão cósmica da existência… Se observo as tipologias dos adornos contemporâneos, eles me parecem presenças surrealistas, metalomecânicas, pontos rígidos de um mapeamento ultrapassado; objetos que reproduzem de forma cansativa e metafórica aquilo que anteriormente era um conclusivo teorema de uso e funções.”

Restituir ao centro do projeto o que o mundo industrial deixou de fora: aflições, medos, noção de morte, santidade da vida. Aproximam-se dos temas elevados da vida, mas também da mediocridade das hortaliças.

Parceiros/professores:
Alessandro Guerriero (1943-),
Ettore Sottsass,
Ennio Brion,
Barbara Radice,
Dario Bartolini,
Dante Donegani,
Giovanni Lauda,
Gilberto Corretti,
Paolo Deganello,
Massimo Morozzi,
Lucia Morozzi,
Emilio Ambasz.
Grupos:
Archizoom,
La casa calda,
Global tools (1973),
Centro design montefibre (74-79), Alchimia (78), Memphis (1980), Domus Adademy (1982), revista Modo (1982-84). Toyo Ito.

Ver também
 Ettore Stottsass
 Gio Ponti
 Alessandro Mendini
 Enzo Mari
 Pier Paolo Pasolini
 Ermano Olmi
 Franco Albini
 Muzio Clementi (musico)
 Michelangelo Antonioni
 Alberto Moravia
 Shiro Kuramata

 

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